sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Rio 2016: Benção ou Maldição?

Esportes
'Rio 2016: benção ou maldição?'
Publicada em 30/09/2009 às 13h14m
Artigo do leitor Fred Junqueira

No final desta semana será divulgada ao mundo a cidade vencedora da disputa pelos Jogos Olímpicos de verão de 2016. O Rio está no páreo, com esperanças reais.

Até agora só tenho ouvido análises positivas sobre o por que dos Jogos serem ótimos para o Rio. O que, sem dúvida, é verdade. Se não se levar em conta o fator custo/benefício (algo que nós brasileiros, quase nunca levamos em conta mesmo, principalmente em se tratando de dinheiro público), nem o que os mais de 180 milhões de brasileiros que não moram no Rio possam achar, os Jogos são, certamente, uma benção.

Para os políticos, não é preciso nem pensar. Afinal, que governador, prefeito, presidente, vereador e até síndico não ia querer uma chuva de verbas, atenção mundial, e anos de projetos, licitações, grandes contratos de construções etc? E, o melhor, sem um centavo sair do bolso dos próprios políticos, nem eles tendo que se preocupar com o depois. Sim, eles precisam se preocupar com o discurso sobre o "depois", mas a realidade? Fica para o próximo governante...

Nossos políticos e nossa mídia estão tão interessados nos eventos esportivos e em suas benesses. Aliás, em agosto deste ano ocorreu o Campeonato Mundial de Vela da classe Optimist em Niterói com a participação de mais de 400 velejadores de 49 países, sendo a maioria adolescentes, e, tirando o secretário estadual de Esportes e almirantes da Marinha do Brasil (que apoiava a competição), nenhuma autoridade "de peso" se deu ao trabalho de comparecer, nem órgãos da mídia.

Para os cartolas do esporte, a resposta à pergunta do titulo também é fácil. Eles, como os políticos, só têm a ganhar, sem nenhum pingo de dúvida. Para os empresários brasileiros e cariocas, principalmente donos de construtoras e empresas que prestam serviços ao governo, a resposta também é fácil: benção na cabeça!

Mas - e, como sempre, é no "mas" e no "entretanto" que reside o problema - e para o tais 180 e poucos milhões de brasileiros que não moram no Rio? E para o caixa do governo, que nada mais é do que o dinheiro do povo? Será que o melhor uso dos bilhões (com "B" mesmo) que serão gastos é esse mesmo? A percepção faz com que nós tenhamos a impressão de que as Olimpíadas são algo inesquecível por décadas e que gerarão frutos por igual período de tempo, mas o que leitor lembra dos detalhes de Seul, Atenas, Sydney e Barcelona? Será que o turismo nesses locais aumentou mesmo e foi um aumento que valeu a pena em relação aos custos? Sendo assim, será que os Jogos Olímpicos de verão são, realmente, uma benção ou uma maldição? Vamos ver. O orçamento inicial para as Olimpíadas 2016 das cidades-sedes são os seguintes:

- Chicago: R$ 9,16 bilhões;
- Madri: R$ 11,65 bilhões;
- Tóquio: R$ 12,2 bilhões;

E do Rio? Vamos ver na tabela abaixo, divulgada pelo site UOL Esporte, de acordo com informações fornecidas pelo COB:

Construção da Vila Olímpica - R$ 854.115.000;
Construção da Vila de Imprensa - R$ 1.624.752.000;
Obras de infraestrutura, como ampliação de aeroporto e avenidas, além de outros gastos, como R$ 24 milhões para a decoração da cidade - R$ 7.380.081.000;
Subsídio público para o orçamento do Comitê Organizador - R$ 1.384.073.000;
Total - R$ 11.243.021.000

Sendo que o orçamento total entre gastos públicos, privados, do comitê olímpico e não-comitê é de R$ 28,8 bilhões (esse é o número para comparar com os que estão acima da tabela).

Entre nossas competidoras, Madri e Tóquio não incluíram nenhum subsídio governamental ao projeto (aqueles quase R$ 1,4 bilhão no caso do Rio). E Chicago incluiu só US$ 65 milhões, mais ou menos R$ 117 milhões. Isso é dinheiro público dado ao Comitê Olímpico para ajudar as atividades do comitê organizador dos Jogos.

Até a limpeza da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Baía de Guanabara estão incluídas nas previsões de gastos do plano do Rio (que incluem diversas obras do PAC). O que, aliás, seria muito bom e deixaria os japoneses contentes, afinal, quantas dezenas, senão centenas, de milhões o governo japonês já gastou em parcerias para limpar as duas áreas nos últimos quase 20 anos, sem quase nenhum resultado até hoje?

Em Chicago, uma das nossas concorrentes, está acontecendo algo interessante. Um grupo de cidadãos de lá formou um site para apoiar a nossa candidatura. Sim, segundo eles, o Rio devia ser escolhido, pelo simples motivo que eles não querem as Olimpíadas por lá.

Bom, mas as Olimpíadas são uma benção sempre, não? Os investimentos beneficiam a cidade sede, são construídas instalações esportivas que, depois dos Jogos, podem ser utilizadas para vários eventos esportivos, o turismo aumenta, a atenção da sociedade faz com que os orçamentos sejam mais respeitados do que o normal, ou seja, só temos a ganhar! Hmmm... onde será que já ouvi uma história parecida? Ah, sim, mais ou menos nos anos que antecederam o Pan Rio 2007. Aquele que seria um espetáculo de benefícios para o Rio, que transformaria a cidade e que deixaria sua marca para sempre. Se o leitor for ler artigos que têm saído essa semana, como o da capa da "Veja Rio" do último domingo, vai ler sobre um Rio de Janeiro que existe nos sonhos de qualquer carioca, como se os Jogos fossem resolver todos os nossos problemas.

O Rio dos Jogos é algumas vezes melhor que o Rio do Pan e o que não se fala é que, se não tivemos a capacidade de entregar quase nenhuma das promessas do Pan, o que faz com que nossas promessas dessa vez tenham mais credibilidade? Nós cariocas somos assim, sempre sonhando, porém nem sempre muito ligados à realidade.

Pois bem, antes de responder à pergunta titulo desse artigo, então, vamos lembrar um pouco do Pan e do que aconteceu depois dele. Segundo um relatório do Tribunal de Contas da União divulgado em setembro de 2008, os gastos reais com o Pan não foram muito superiores ao orçado, apenas 500% no geral. Não, amigo leitor, não é um erro, 500% a mais do que o orçado inicialmente. O custo total ficou em R$ 3,78 bilhões. Só o governo federal gastou 1.589% a mais do que o orçado para ele. Ao invés de gastar os R$ 95 milhões previstos, a União gastou R$ 1,8 bilhão do seu dinheiro. Praticamente um erro de arredondamento...

Entre as análises realizadas, o TCU fez uma de amostragem de alguns gastos na Vila do Pan, por exemplo. De 22 itens analisados, o TCU concluiu que 17 foram superfaturados. Tinha de tudo, de ar condicionado até cortinas custando mais do que deviam (a íntegra da decisão do Tribunal pode ser lida aqui .

E quantas grandes competições esportivas o leitor viu acontecerem nas instalações do Pan? O estádio de futebol João Havelange (o Engenhão), por exemplo, que foi construído bem próximo ao Maracanã, terminou sendo arrendado para o Botafogo, depois que meio mundo o recusou, pela quantia de R$ 36 mil por mês. Bom aluguel, não? Depende... quando o custo de construção foi R$ 380 milhões, não fica parecendo um negocio tão bom: 0,009% do custo da obra por mês. Nesse ritmo, em apenas 880 anos o governo pode ter de volta o que gastou, isso sem contar o valor desse dinheiro investido no tempo de lá pra cá. É um verdadeiro negócio da China! Nada mal para uma obra orçada, inicialmente, em R$ 60 milhões.

Segundo a revista "Exame", até a passarela que liga o estádio à estação de trem do outro lado da rua (não incluída nesse custo acima) teve que ser construída às pressas e com um custo muito superior ao estimado, simplesmente porque ela não constava do projeto original. Um erro aceitável, quando se considera que a estação está lá desde o século 19, não?

Também segundo a revista "Exame", o sistema de cadastro e segurança do Pan, por exemplo, terminou custando 163 vezes o valor inicialmente orçado e teve que ser refeito às pressas logo antes da competição, depois que a Agência Brasileira de Inteligência reprovou as medidas. Notem bem, 163 vezes o custo originalmente orçado.

Mas melhor do que esses dados sobre o Pan é a análise do presidente do Tribunal de Contas do Município do Rio, realizada em setembro de 2007 e que pode ser lida na íntegra aqui , sobre a organização dos Jogos e seu efeito para as autoridades públicas. É tão engraçado e tão desconectado da realidade que não estragarei a surpresa dos que quiserem ler.

Foram construídos para os Jogos um conjunto de prédios para funcionar como a Vila dos Atletas e que, depois, seriam entregues para seus compradores privados. Dos 17 prédios construídos, quase todos encontram-se quase vazios, enrolados em problemas jurídicos e apodrecendo ao ar livre até hoje. Quanto ao uso das instalações esportivas, replico aqui três dos resultados de um levantamento realizado por Mauricio Garcia em seu blog :

"Arena Multiuso - Uma arena moderníssima, situada no complexo do Autódromo de Jacarepaguá. Quando a Prefeitura percebeu que tratava-se de um elefante branco com manutenção cara, tratou logo de repassa-la à iniciativa privada. Hoje é a HSBC Arena, utilizada exclusivamente para shows, logo, privada. Nada de esporte;

Parque Aquático Maria Lenk/Velódromo - São as outras construções que faziam parte do complexo do Autódromo. Estão bem conservados, mas esporte que é bom, nada. O Maria Lenk foi protagonista de uma das maiores pixotadas administrativo-esportivas brasileiras. Sob alegação que o orçamento do Pan deveria atingir um padrão de Jogos Olímpicos, e não Pan-americanos, o COB conseguiu alterá-lo. Após a construção, foi constatado (pasmem), que o Maria Lenk não tem capacidade para abrigar uma arena de esportes aquáticos para uma Olimpíada. E o arquiteto responsável pelo projeto não imagina como expandir o local. Para se livrar do problema, a Prefeitura repassou a administração ao COB, que logo nomeou o ex-nadador Ricardo Prado para administração. Vendo a fria que se meteu, Ricardo largou o projeto em tempo recorde;

Marina da Glória - Mais um exemplo de uma tremenda trapalhada. Seria a única obra privada do Pan, e o planejamento era construir um local para esportes como remo e iatismo, um complexo suntuoso, cujo projeto incluía uma construção de praticamente 5 andares. Após o começo das obras, atentaram para o seguinte detalhe: aquele é um local tombado, patrimônio público, e tal construção simplesmente não poderia ser feita nos moldes iniciais. Ao invés de reavaliar o projeto, as obras simplesmente pararam. Hoje, várias estacas de concreto e alicerces povoam e poluem o lugar".

E o "melhor" de tudo no Pan? Como sempre, peço ao leitor para tentar adivinhar quantas pessoas foram julgadas ou presas por qualquer tipo de irregularidade que possa ter ocorrido? Sim, Z-E-R-O. De onde se entende, então, que não houve nenhuma irregularidade?

Vale lembrar que as quatro edições anteriores de jogos Pan-americanos haviam custado uma média de R$ 260 milhões cada. Ou seja, 14,5 vezes menos do que o custo do mesmo evento no Rio de Janeiro. Pelo menos dessa vez nosso orçamento inicial é só um pouco mais do dobro dos outros concorrentes.

Além disso tudo, é preciso lembrar, ao se levar em conta o aumento esperado do turismo, que em 2014 o Brasil já estará na mídia, por mais tempo do que os 16 dias de uma Olimpíada, e com mais cidades do que o Rio, pois sediaremos a Copa do Mundo de Futebol. Em 2013 teremos a Copa das Confederações e, em 2011, os Jogos Mundiais Militares.

Também vale lembrar que os R$ 28 bilhões orçados como gastos totais (se terminar sendo só isso mesmo), equivalem a quase 5,5 anos de gastos anuais de turistas estrangeiros no Brasil todo. Ou seja, quanto a mais de turistas e gastos seriam necessários para justificar esse dispêndio e quanto do aumento no turismo já não será afetado pela Copa do Mundo e os outros eventos?

Entre os argumentos que já ouvi sobre o por que as Olimpíadas são uma benção para nós tem de tudo, desde o "dessa vez o controle será maior", passando por "eu quero ver Olimpíadas e dane-se o gasto, o dinheiro é do governo mesmo", chegando até o "no Brasil já se rouba tanto mesmo, melhor que roubem, mas que a gente possa ir a uma Olimpíada aqui".

Já os que acham uma maldição quase sempre recaem no "chega de jogar dinheiro pela janela", "tem mais o que fazer com esse dinheiro" indo até o "com a condição dos hospitais, da segurança pública e da educação no Rio, vamos gastar essa fortuna fazendo Olimpíadas?".

E das pessoas que são "contra as pessoas que são contra", já ouvi que quem é contra "não são patriotas", "não gostam do Rio", "são contra o Brasil". (senti falta de um "Brasil, ame-o ou deixe-o"...). Como se ser contra os Jogos, por qualquer motivo que seja, fosse um ato contrário aos interesses nacionais e uma traição ao Brasil e ao Rio de Janeiro.

O resumo é que o assunto desperta grandes paixões e, sendo assim, deixo aqui a pergunta para que vocês opinem: Rio 2016, uma benção ou uma maldição?

PS: Se o Rio for escolhido, rogo aos amigos que guardem esse artigo para lerem lá em 2017/2018. Vamos ver o resultado...

domingo, 4 de outubro de 2009

45 Grandes Lições!

Eu não sei se isto foi realmente escrito por esta senhora, a questão é que algumas destas lições eu também já aprendi. Destacarei as que julgo mais importantes pra mim.

ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS, CLEAVELAND, OHIO.
"Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. Meu taxímetro chegou aos 90 em agosto, então, aqui está a coluna, mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19.Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não" como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré...
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que você fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente "

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Caso dos Sargentos - Livro.

"O exército tem que se adequar a Constituição",
diz ex-sargento sobre lançamento de biografia
Por Marcelo Hailer 17/11/2008 - 15:08

Em julho desse ano os sargentos Fernando Figuereido e Laci de Araújo tornaram público por meio da revista Época e do programa Superpop o caso deles para todo o Brasil. A vida de ambos nunca mais foi a mesma. Foram presos pelo exército, Fernando se viu obrigado a pedir baixa, e Laci diz que foi torturado nos cárceres das Forças Armadas. Hoje o casal ainda trava batalha com o Exército. Toda essa história será lançada em livro no dia 1º de dezembro na livraria Fnac da Avenida Paulista, em São Paulo. O título da obra é "Soldados não choram". Na entrevista a seguir, Fernando fala do livro e da vida dele e de Laci hoje. Confira. Como surgiu a idéia para lançar o livro?Eu levei uns dois meses para escrever, logo que dei entrevista pra G, a Globo me procurou e disse que estavam interessados na história. Eu já tinha alguma coisa escrita, pois já vinha fazendo um rascunho/relatório do que estava acontecendo, partiu da própria editora essa idéia, mas eu já tinha essa intenção.Qual foi a participação do jornalista Roldão Arruda no livro?Ele iria me ajudar como redator, ele deu vida para o livro, porque eu tenho um linguajar meio jurídico e ele mudou para uma linguagem mais acessível. Ele ajudou nesse sentido, eu tava precisando de alguém que me orientasse.Qual o objetivo de vocês com o livro?O primeiro deles é suprir algumas lacunas que foram deixadas pelo caminho. O segundo plano seria realmente ajudar outras pessoas que tiverem história parecida, pois o nosso caso não é isolado nas Forças Armadas.No que o livro pode ajudar?Eu quero é fazer com que o Exército admita que tem outros homossexuais e que o país venha a admitir publicamente homossexuais nas Forças Armadas. O a que gente vê nessa situação, é que o exército fez questão de mostrar força e de nos expurgar da instituição em razão da nossa sexualidade. Que o livro desperte na sociedade: por que o exército não pode ter homossexuais? Há outras formas de discriminação, a palavra democracia está o tempo todo sendo corrompida dentro do exército. O exército tem que se adequar a Constituição e não o contrário. Esperam com o livro atingir mais pessoas com o caso de vocês?Espero sinceramente que esse livro sirva de inspiração para que outros denunciem o abuso de autoridade, de perseguição, seja ela homofóbica ou de questões políticas. Acredita que o caso de vocês é um divisor?A questão sexual dentro das Força Armadas sempre foi um tabu, na sociedade se comenta que há pessoas que já ouviram falar de casos, mas não como o nosso que ficou bastante divulgado. Então, eu creio que toda a problemática que envolveu o nosso caso é um despertar para a realidade que ocorre lá dentro e que isso possa realmente beneficiar outras pessoas.O que você consegue tirar hoje de toda essa situação?Costumo dizer que a gente aprende muito pela dor e quando eu estava vivenciando tudo aquilo antes da exposição pública sinceramente não tinha nenhuma motivação de vida. Pensei que tudo estava perdido e que eu estava num emaranhado de pessoa ruins, mas depois conheci tanta gente legal no meio dessa história toda, que acho que tem muita gente boa e que quer mudar essa situação. Não só com relação a perseguição, mas como uma tentativa de tornar o mundo melhor. Qual é o foco do livro?O livro é uma biografia tanto minha quanto do Laci, só que escrita por mim. Ele busca na infância todos os conflitos da identidade homossexual até o caso da perseguição. E faço questão de colocar as denúncias que já tinha citado, que começou como uma perseguição política, mas que tinha como pano de fundo a homofobia institucional. Tem alguma parte do livro que você destaca?O que ficou marcado para mim vai ser a visão do que ocorreu no aeroporto aqui em Brasília. É o trecho entre o aeroporto e o senado que fica logo no começo do livro e que foi muito traumático pra mim. Costumo dizer que isso sempre me emociona e coloquei de coração o que me ocorreu. O livro vai ser lançado por uma editora grande (Globo) e vai dar uma nova repercussão ao caso de vocês. Você teme novas ameaças? Olha, nós ainda estamos sofrendo, ainda estamos na mesma situação e, temos duas novas acusações para responder feitas pelo Ministério Público Militar. Uma é sobre imputação falsa de crime e que diz respeito as minhas denúncias feitas sobre as torturas sofridas pelo Laci. Ministério Público Militar inverteu o processo, eles estão dizendo que nós inventamos tudo e que não ocorreu nada disso, mas isso já era esperado, porque o MPM é resquício da ditadura militar, sabíamos que eles iam blindar os generais. O Ministério Público Federal processa os generais e os demais governos por essa perseguição homofóbica, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio, São Paulo e Brasília se pronunciaram favoravelmente a nós e diversos outros órgãos que tiveram acesso a documentação enxergaram que o Laci é inocente nessa história, ou seja, não houve nenhum tipo de arbitrariedade ou de indisciplina por minha parte e a do Laci. A própria juíza militar que, teoricamente, deveria condenar Laci o absolveu. O que a gente enxerga dessa história toda é que o Exército forjou o processo de deserção para mascarar a homofobia institucional, foi adiante e condenou o Laci. O próprio exército acusou e condenou sem embasamento legal para isso. E os processos internacionais, em que pé estão?As denuncias para os órgãos internacionais são feitas de imediato no CONDEP, mas eles só acompanham. Isso só vai ter um desfecho internacional quando o nosso processo exaurir e o nosso caso ainda está no Tribunal Militar, ainda não seguiu destino para o STF, ainda não chegou a última instância. Então, ainda não tem uma definição. O pedido de baixa foi contra a sua vontade?Depois de um determinado tempo eu tinha certeza de que era um bom militar, que servia para aquilo e a minha orientação sexual não tinha nada a ver com a minha profissão. Mas, depois de uma pressão tão grande, não tinha outra saída a não ser o pedido de baixa.Você sente falta do Exército?Eu sinto falta da camaradagem de alguns militares, sinto falta das instruções que eu era responsável na tropa, dos meus amigos que deixei lá. Afinal de contas, não posso generalizar e dizer que o Exército se compõem de um monte de arbitrários, tem gente boa lá dentro. Só que a questão da hierarquia, da ordem pela ordem, manda quem pode, obedece quem tem juízo, isso aí eu não sinto falta de jeito nenhum e dou graças a Deus de ter saído. Como está sua vida hoje?Hoje eu ainda estou desempregado, até pouco tempo estava completamente envolvido com a questão do livro e, você sabe, a gente não pode deixar o assunto esfriar. Agora que tudo está voltando à normalidade a minha intenção é voltar para o curso de direito. Eu já estava estudando, aí quando tudo começou eu tive que trancar.Tem muita gente dentro do armário no Exército?Eu não posso falar em percentual, a estatística diz que 10% da população brasileira é homossexual e eu acredito que uma parcela muito grande esteja no Exército. Não só no Exército, nas Forças Armadas no geral. Espero que com o livro muitos homens enxerguem [a homossexualidade] e possam aflorar isso. E o Laci, está melhor?Ele está medicado, está fazendo uso de seis medicamentos, ele tem comparecido ao trabalho para não dar falta, ele tem uma função lá definida, isso até a gente definir a questão da baixa dele. O exército acatou o pedido dele só que impôs que ele tem quitar o problema dele com a justiça militar, enquanto ele não fizer isso, eles não o liberam. Ele está sendo bem tratado no exército?Olha até agora não teve represália, não queriam dar as férias deles e deram. As coisas mais graves são as novas denúncia do Ministério Publico Militar que, coincidente ou não, foram feitas pela mesma procuradora que nos acusou de deserção e não conseguimos entender o por que essa senhora nos persegue. Vocês estão morando juntos? Estamos morando na casa de Miriam [Mãe do Fernando], porque o ambiente do apartamento onde morávamos é altamente militar, é um prédio que é administrado pelo exército e acho que não é um ambiente salutar para o Laci. Por isso, o tirei de lá. Já teve convite para adaptar a história de vocês para o cinema?Algumas pessoas já falaram, mas oficialmente ainda não.E vocês topariam?Sim, com certeza. Iria atingir um público muito maior.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

UP! Sérgio Cabral - Governador do Rio

PM nega pensão a parceiro de soldado; Governador do Rio intervém e revoga decisão

Na última quarta-feira (29/10), a Polícia Militar do Rio de Janeiro negou o direito de pensão ao companheiro do soldado morto em serviço há 11 anos, Franklin Pereira Duarte, durante confronto em Santa Teresa, região central do Rio.

Após tomar conhecimento da decisão da PM, o governado do Rio, Sergio Cabral, ordenou por meio de um comunicado que a corporação reveja o seu ato e faça valer a lei estadual 5034/07, que garante o direito a pensão aos servidores públicos com parceiros do mesmo sexo do Estado do Rio de Janeiro.

Ontem, quinta-feira (30/10), a PM carioca informou por meio de sua assessoria de imprensa que irá retroceder em sua decisão e conceder o direito à pensão ao companheiro do soldado Franklin.

Claudio Nascimento, superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, disse que o governo faz o necessário para garantir o direito aos homossexuais e lembrou que cerca de 200 pessoas já são contempladas pela lei.

União reconhecida

A relação do casal era pública desde 1989 e, para comprovar que viviam juntos, o parceiro de Franklin Duarte apresentou todos os documentos que a lei exige. Além das testemunhas para ratificar o casamento.

O companheiro do soldado morto concedeu entrevista ao jornal "Extra", mas preferiu manter-se no anonimato. Na reportagem, ele disse que começaram a namorar em 1989, e três anos depois se casaram. Sobre o direito a previdência, revelou lutar pelo mesmo há nove anos. Agora terá o seu direito reconhecido graças ao aval da lei estadual.

Em 2007, o governador Sergio Cabral sancionou a lei 5034/07, que garante aos servidores públicos do estado carioca o direito à pensão. Na 13ª Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, Cabral esteve presente e, na ocasião, se disse orgulho de ter "aprovado a lei e fazer do Rio o primeiro Estado a reconhecer as uniões homossexuais".

Down!!!

"Homossexualidade é incompatível com a atividade militar", diz promotor da Bahia

Revista A CAPA

A história se repete. Desde que assumiu a sua homossexualidade em 2004 dentro da corporação da Polícia Militar da Bahia, o Tenente Ícaro Ceita vem sofrendo retaliações e perseguições. O caso tornou-se público quando o PM foi ao jornal 'O Correio da Bahia' para fazer a denúncia.

Porém, na última quarta-feira (29/10), Ícaro sofreu um revés em seu caso - ele sofre processo por deserção - ao tomar conhecimento do parecer do promotor do Ministério Público da Bahia, Dr. Luiz Augusto de Santana, onde ele afirma que "a homossexualidade é altamente incompatível com o serviço militar". O PM fez a leitura do parecer na abertura do Fórum LGBT da Bahia, onde espera angariar apoio ao seu caso.

Os organizadores do Fórum LGBT Baiano já se manifestaram e disseram que irão tomar duas providência de imediato: protocolar junto ao Ministério Público uma moção de repúdio perante a postura considerada homofóbica do promotor e também organizar uma manifestação pública em frente ao MP da Bahia.

O caso

Em entrevista ao Jornal Correio da Bahia, Ícaro relatou algumas situações tensas que passou após ter assumido a sua homossexualidade frente aos colegas. Uma delas, conta ele, foi quando seu superior o colocou de frente para os outros militares e disse que Ícaro era uma vergonha para a corporação.

Com tanta pressão e retaliação, o PM contraiu depressão. O tenente usava o trabalho como válvula de escape, mas acabou adoecendo e teve de se ausentar para se tratar. Ícaro onseguiu então um atestado médico comprovando a sua doença. No entanto, o documento não foi aceito pela corporação que o prendeu por deserção. O PM cumpriu pena de 20 dias. Daí em diante, as perseguições não pararam e ele resolveu procurar a imprensa para denunciar. No momento, ele sofre processo por deserção. Por hora, Ícaro tenta provar que esteve doente e permanece na Polícia Militar.

Na sequência, você confere os trechos mais polêmicos do promotor Luiz Augusto de Santana:

"O referido oficial subalterno, afirmando-se homossexual, diz-se perseguido e publicamente discriminado na corporação, já tendo, inclusive, sido alvo de ameaças por parte de integrantes da PM, fatos que, obviamente, não se aceita e nem se recomenda".

"... Tenho externado meu ponto de vista a respeito da homossexualidade nas instituições militares. Entendo que elas são antagônicas. Simplesmente não combinam a carreira militar e o fato de alguém nela ter se declarado homossexual".

"...É que no militarismo todas as atividades são coletivas, ou seja, dormimos juntos em alojamentos comemos em ranchos coletivos, tomamos banhos de forma coletiva, usamos os mesmo vaso sanitário .... e por isso não sei quais reações teria um homossexual no meio de pessoas do mesmo sexo despidos, mas certamente não reagiria como os heteros, por que eu
por exemplo, afloraria minha libido. Em curtas palavras, ficaria excitado na presença de uma mulher despedia, ou a mulher na presença de um homem, coisa natural a qual quer ser normal..."

"Contudo, como cientificamente já provaram que a mente do homossexual funciona igualzinho a mente do hetero do sexo oposto, a coisa ficaria complicada, e possíveis reações de assédio poderiam desaguar em instabilidade disciplinar, com prejuízos sérios para a própria corporação...."

"Embora não se permita discriminações e muito menos perseguições em razões das preferências sexuais dessa ou daquela pessoa, vejo a homossexualidade altamente incompatível com a carreira militar..."

"Que este comando, nesse sentido, consulte o alto comando e a Procuradoria Geral do estado sob a possibilidade de submete-lo, porque agora publicamente declarado gay, a um Conselho de Justificação com vistas a sua demissão do serviço ativo da Policia Militar da Bahia..."

"As razões para tanto estão no próprio Estatuto PM, no título que trata da deontologia policial militar, mais especificamente quando cuida da ética, afirmando que é preceito dela zelar pelo preparo moral dos subordinados, ser discretos em suas atitudes e maneiras..."

"Um homossexual jamais pode ser apontado como pessoa discreta em suas atitudes e maneiras, e que pode servir de exemplo a quem é alvo do seu preparo moral. Isso pode funcionar até em outra nação, mas ainda não no Brasil, embora tenhamos avançado muito nessa questão..."

"Por outro lado, o oficial em questão segundo notícias que me chegam encontra-se ausente de sua unidade há muito tempo, afetado por problemas psicológicos porque se viu separado do seu companheiro. Requisito-lhe, então informações coerentes e abalizadas sobre sua atual funcional, se já foi submetido a processo de deserção, ou não."




quinta-feira, 23 de outubro de 2008

... eu nao fiz nada demais...

As vezes me pergunto porque as pessoas gostam tanto de mim (pelo menos dizem que gostam), hoje foi minha despedida do Hostel KM0, e parece que todo mundo daqui está sentindo minha falta, porque as pessoas gostam tanto de mim? Eu nao sou nenhum santo, eu nao fiz nada demais, eu só tento ser eu mesmo o tempo inteiro. Os garotos, me disseram coisas que me comoveram, as garotas também, todos eles quiseram me dizer que sentirao minha falta, um deles disse que eu nao precisava ir embora, que eu podia ficar aqui sem pagar, mas, eu preciso ir embora, tenho tanta coisa pra estudar, tenho minha casa em Brasilia e tenho ALGUÉM MUITO ESPECIAL QUE ESPERA POR MIM, isto é o mais importante, estou muito ansioso pra voltar. Nao sei se conseguirei dormir, primeiro bebi mais que o normal, algo como duas cervejas de litro compartindo-a com o pessoal do hostel e um litro de caipinha que fiz mais cedo, todos tomaram, eu tomei algo como dois copos, misturado com sprite pois pura é muito forte pra mim, o pessoal adora quando algum brasileiro aparece por aqui e prepara uma boa caipirinha, até saímos pra uma boate, mas estava fechada, voltamos e ficamos conversando aqui na escada do hostel, o Andrés o Facu e a Laura ficaram me contando o quanto é ruim para eles que vivem aqui, se despedirem de pessoas legais, segundo eles o mais difícil é despedir-se de alguns brasileiros. Fiquei bem comovido ao ouvir dos meninos do Hostel que eu sou especial que eles sentirao minha falta, nunca pensei que eles se sentiriam assim. O que podemos fazer? The Life Goes On...
O que posso dizer é que eles sao muito especiais para mim agora: LAURA, ANDRÉS, FACUNDO, BRUNO, PATRÍCIO, SUZAN, GIOVANA, CLAYTON, LUCA, ISAC e NATHALY, I'll miss you!

Hostel Experience...

Uau!!! Hoje tive uma real experiencia de vida em comunidade nos Hostels, eu havia prometido ao pessoal que iria cozinhar algo por aqui, talvez um strogonoff ou uma massa, mas acordei hoje ao meio dia morrendo de preguica, entao desistir. Fomos comprar alfajores, eu, Geovana (Sao Paulo), Laura (Colombia) e o Luca (Italia) e combinamos de almocar pela rua, mas depois de andar um bocado e comprar os tais alfajores, decidimos que faríamos comida aqui no Hostel mesmo, a principio eu e a Laura cozinharíamos, mas o Luca terminou se oferecendo e nos preparou uma deliciosa pasta ao modo italiano, estava muito gostosa e podemos comer todos juntos no living room, se saíssemos para comer fora cada um pagaria em média $ 18.00, compramos tudo por $ 45.00, e rendeu 7 pratos, depois postarei as fotos - éramos 7 (Eu, Laura (Colombia), Geovana (Brasil), Clayton (Brasil), Andrés (Colombia), Camila (Colombia) e Luca (o cheff de Milano na Italia), putz eu ainda vou viver pelo menos uns dois meses num hostel por aí, vou sentir saudades do pessoal daqui, nossas conversas nas noites sao muito boas, regadas a vinho ou cerveja... nos divertimos muito. Se pensares em ficar num Hostel em Buenos Aires, venha para o KM0 (Zero), en la Plaza del Congresso, Av. Rivadavia 1578.
Vou contar-vos mais um historia de hostel. Acho que no Sábado chegou aqui no Hostel um rapaz, ele é de Londres, seu nome é Andy, falou muito pouco com as pessoas, vi que ele falava ingles, mas um pouco na dele. Anteontem comecamos a conversar todos em ingles e ele ficou super empolgado e aí contou sua historia, ele veio para Bs.As. para estudar espanhol e passear, ao chegar aqui no hostel, nos primeiros dias achava que ninguém no hostel falava ingles e comecou a se sentir muito sozinho, entao foi a outro hostel e fez uma reserva por tres dias, depois de conversarmos ontem por mais de duas horas todos juntos, ele disse que se sentiu triste pois teria que mudar de hostel, já havia pago a estadia de tres dias no outro, mas que com certeza voltara pra cá quando terminar a estadia lá. Ele ficará por aqui até dezembro acho, em janeiro vai a Sao Paulo, Rio e Brasilia e vai passar o Carnaval em Salvador, eu já disse a ele que se for pra Salvador nao vai querer voltar pra Inglaterra... combinamos de nos encontrarmos novamente em Brasilia.
Putz, acho que nasci pra isto, fico pensando qual é a graca de ficar num hotel sem conhecer ninguém sem conversar com ninguém?